Crise hídrica em Rochedo: vereadores cobram soluções e defendem união para enfrentar falta de água

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A falta de água que vem atingindo diferentes regiões de Rochedo ganhou amplo espaço na sessão ordinária da Câmara Municipal desta terça-feira, 29 de setembro. Diante das reclamações da população e dos questionamentos direcionados também ao Poder Legislativo, vereadores utilizaram a tribuna para se posicionar, apresentar cobranças, relatar ações já realizadas e discutir possíveis caminhos para enfrentar um problema que, segundo os próprios parlamentares, se arrasta há anos.

Ao longo das manifestações, houve um ponto de convergência: a situação atual exige medidas concretas e uma solução estrutural. Entre os problemas mencionados estão a existência de tubulações antigas e de pequeno diâmetro, a expansão da cidade sem o correspondente crescimento da infraestrutura de abastecimento, vazamentos, equipamentos considerados obsoletos e a necessidade de novos poços e reservatórios.

Os vereadores também defenderam que a responsabilidade pela solução não pode ser transferida aos servidores que atuam diretamente no sistema de abastecimento, reconhecendo as limitações da estrutura existente.

Valdir Rodrigues: “Cada um correu atrás do seu jeito”

O vereador Valdir Rodrigues afirmou que os parlamentares receberam diversas reclamações e procuraram agir diante da situação. Ele relatou que esteve, juntamente com outros representantes, em conversa com o prefeito Arino Jorge Fernandes e visitou o local onde está prevista a implantação de um novo poço.

“Nós vereadores, acho que todos aqui, tivemos reclamação sobre a água e eu acho que cada um correu atrás do seu jeito.”

Segundo Valdir, o novo poço poderá beneficiar inicialmente regiões como o Maria Ramos, Zé Carrilho, Chácara das Mansões e propriedades próximas. O parlamentar reconheceu que a medida, isoladamente, não resolverá todo o problema da cidade, mas classificou a iniciativa como um primeiro passo.

Valdir também pediu cautela com as críticas aos funcionários responsáveis pelo abastecimento e destacou que há problemas estruturais que não podem ser solucionados de maneira imediata. Ele citou ainda a existência de um vazamento próximo ao rio que, segundo informações repassadas pelo Executivo, deverá ser reparado.

Josimar Arantes: “Eu compactuo com a revolta da população”

O vereador Josimar Arantes fez uma das manifestações mais contundentes da sessão. Ele afirmou compreender a insatisfação dos moradores e revelou que também enfrenta diretamente a falta de água.

“Eu concordo, compactuo com a revolta da população. Estamos juntos.”

Josimar relatou que há sete dias não chegava água à propriedade de sua família, na região do Lageado, e citou dificuldades também em outras localidades. O vereador lembrou ainda a viagem realizada por representantes de Rochedo a Brasília, onde, segundo ele, houve promessa de uma perfuratriz para abertura de poços, que até o momento não se concretizou.

Para Josimar, a crise atual expõe problemas antigos.

“Nós estamos falando de água, falta d’água, equipamento obsoleto, rede obsoletíssima, crescimento sem planejamento.”

O parlamentar defendeu uma nova reunião com o prefeito e uma mudança de estratégia.

“A situação é caótica em Rochedo. Falta d’água em praticamente todos os bairros.”

Ele também fez questão de afastar a responsabilidade dos servidores do sistema de abastecimento, afirmando que os funcionários trabalham diante das limitações de uma estrutura que já não suporta adequadamente a demanda atual.

Arlindo Ferreira: “Se a gente não apertar o calo, vai continuar”

Durante a manifestação de Josimar, o vereador Arlindo Ferreira pediu a palavra e também se posicionou sobre a crise.

“Infelizmente, a situação de Rochedo hoje da água está insustentável.”

Arlindo lembrou que vereadores estiveram em Brasília em busca de recursos para a perfuração de poço e construção de reservatório. Segundo ele, havia expectativa de recursos que acabaram não chegando ao município.

O vereador defendeu que a Câmara continue cobrando.

“Cabe à gente cobrar, pedir. Muitas vezes a culpa não é dos vereadores. Só que, se a gente não apertar o calo, vai continuar.”

Arlindo afirmou ainda que recebeu a informação de que o Executivo pretende buscar agilidade no processo de licenciamento para implantação de um novo poço e reservatório, estrutura que poderá melhorar especialmente o abastecimento no Maria Ramos, Chácara das Mansões e áreas vizinhas.

Fátima Bilski: “Água é vida”

A vereadora Fátima Bilski destacou que a dificuldade no abastecimento não começou na atual gestão e lembrou que acompanha o problema desde que chegou a Rochedo, em 2003.

“Água é vida. Onde não tem água, não tem vida.”

Fátima lembrou que diferentes administrações já perfuraram poços na tentativa de solucionar o problema, mas que, ao longo dos anos, algumas dessas alternativas se mostraram insuficientes. Para ela, o crescimento da cidade sem uma infraestrutura dimensionada para a demanda atual está entre os fatores que precisam ser considerados.

A vereadora defendeu planejamento, metas e união entre Legislativo e Executivo.

“Nós precisamos nos unir para que possamos acabar com essa falta de água.”

Fátima também rejeitou a ideia de transferir aos moradores a responsabilidade pela solução.

“Nós não podemos jogar para a população resolver essa situação. Nós precisamos abraçar essa situação e resolvermos nós nove juntos, junto com o nosso Executivo.”

Ela sugeriu, inclusive, que a Câmara pesquise experiências adotadas por outros municípios que já enfrentaram crises semelhantes.

Fábio Franco propõe estudo técnico e investimento em tecnologia

O vereador Fábio Franco defendeu que Rochedo avance para uma análise técnica mais ampla do sistema de abastecimento. Para ele, além das intervenções emergenciais, é necessário compreender tecnicamente toda a rede.

“Tinha que trazer um engenheiro aqui para o nosso município, fazer um estudo, investir em tecnologia.”

Fábio propôs a realização de um levantamento da rede e a discussão de alternativas como a setorização do sistema de abastecimento.

“Nós, como autoridade, precisamos não colocar a culpa um no outro. A gente precisa realmente resolver o problema.”

O parlamentar afirmou que, a partir de um diagnóstico técnico, os vereadores poderão buscar recursos junto a deputados e senadores, além da possibilidade de contrapartida municipal ou utilização de recursos próprios.

“A gente precisa dar uma resposta satisfatória ao nosso povo rochedense sobre essa questão.”

Fábio também ressaltou que os servidores responsáveis pelo abastecimento trabalham dentro das condições existentes e não devem ser responsabilizados pela deficiência estrutural do sistema.

Para o vereador, qualquer alternativa precisa ser acompanhada de planejamento.

“Temos que ter alternativas, temos que cobrar, temos que sugerir ideias.”

Ele defendeu uma nova discussão conjunta, desta vez buscando um resultado concreto para que a água não falte nas residências.

Cléa Corrêa: “Não vou prometer aquilo que não posso cumprir”

A vereadora Cléa Corrêa afirmou ter recebido diversas ligações de moradores cobrando providências e adotou um discurso contrário a promessas de soluções imediatas.

“Eu não vou prometer que amanhã vou resolver isso, porque não seria verdade.”

Cléa defendeu a união entre os vereadores e o Executivo para buscar uma saída para a crise e lembrou que os próprios parlamentares também vivem na cidade e enfrentam os reflexos da falta de água.

“Nós também somos população antes de ser vereadores. Nós também precisamos da água.”

A vereadora afirmou que pretende continuar trabalhando pela solução, mas sem estabelecer prazos ou anunciar medidas que não estejam garantidas.

“Não vou prometer nada porque eu não posso chegar aqui e prometer que vou furar poço, que vou resolver isso, porque eu estaria mentindo para vocês.”

Cléa também cobrou a concretização dos recursos e compromissos assumidos com representantes do município.

“Eu quero é que isso se resolva. Vocês podem contar comigo.”

Segundo ela, a atuação nem sempre precisa acontecer por meio de exposição pública, mas também por cobranças e articulações realizadas nos bastidores.

George Gabriel Bernal reforça papel fiscalizador do Legislativo

O vereador George Gabriel Bernal classificou a falta de água como um problema de saneamento básico e reforçou que a cobrança ao Executivo faz parte das atribuições do parlamentar.

“É muito triste subir na tribuna para falar sobre saneamento básico.”

Bernal destacou a participação dos vereadores nas articulações realizadas em busca de recursos para Rochedo e disse reconhecer o empenho da Câmara.

“Fico feliz em estar vendo o empenho dessa Casa de Leis, que sempre se empenhou.”

Ao mesmo tempo, fez cobranças mais duras por uma resposta efetiva do Poder Executivo e afirmou que continuará fiscalizando independentemente de críticas.

“Aqui está escrito Poder Legislativo, não Poder Executivo.”

“Vou cobrar. Doa a quem doer.”

O vereador defendeu que as prioridades do município contemplem os serviços considerados básicos e lembrou que a cobrança pela melhoria do abastecimento não começou agora, tendo sido feita também em legislaturas anteriores.

Ao concluir sua manifestação sobre o tema, Bernal defendeu que qualquer intervenção seja precedida por estudo técnico.

“Tem que ser feito um estudo. Se não for feito um estudo, vai ser feito de qualquer jeito e vai continuar da mesma forma.”

E reforçou:

“Estarei em cima cobrando, porque não é por mim, não é por nós, é pelo povo, é pela população de Rochedo.”

Câmara reconhece gravidade e busca caminhos para uma solução definitiva

Apesar das diferentes avaliações sobre responsabilidades, prazos e estratégias, as manifestações realizadas na sessão demonstraram uma posição comum entre os parlamentares que abordaram o assunto: a falta de água chegou a um nível que exige resposta efetiva e planejamento de longo prazo.

A discussão também deixou evidente que o Legislativo não desconhece as cobranças feitas pela população. Pelo contrário, vereadores relataram que vêm sendo procurados diretamente por moradores e reconheceram publicamente a insatisfação existente.

As alternativas debatidas passam pela abertura de novos poços, construção de reservatórios, reparação de vazamentos, modernização e redimensionamento da rede, estudos de engenharia, utilização de tecnologia, planejamento dos novos loteamentos e busca de recursos estaduais e federais.

Ao mesmo tempo, os parlamentares reconheceram que uma crise construída ao longo de anos dificilmente será solucionada por uma única intervenção.

O desafio colocado agora é transformar cobranças, projetos e articulações em resultados concretos.

Para a Câmara Municipal, o compromisso manifestado em plenário é acompanhar, cobrar, propor alternativas e trabalhar conjuntamente para que o objetivo final seja alcançado: água chegando com regularidade às torneiras da população de Rochedo.